Microempreendedora denuncia racismo em shopping na região Centro-Sul de Belo Horizonte

A jovem Júlia Gomes, de 18 anos, contou que segurança do Pátio Savassi a seguiu e questionou o motivo da sua presença no local. Ela registou ocorrência no Disque 100.


Uma jovem de 18 anos afirma ter sido vítima de racismo por um segurança do shopping Pátio Savassi, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, neste fim de semana. Em uma série de stories no Instagram, a microempreendedora Julia Gomes, explica que foi abordada de forma ofensiva pelo funcionário.


Nesta segunda-feira (21) é celebrado o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial. Hoje, pela manhã, Julia Gomes registrou boletim de ocorrência relatando o caso.

"Passar por isso é muito difícil, nunca mais vou esquecer, mas estou fazendo de tudo para divulgar para que não aconteça mais. Várias pessoas me procuraram nas redes sociais para dizer que já estiveram em situações parecidas no mesmo shopping", disse à reportagem.

Constrangimento

Julia Gomes conta que estava no shopping aguardando o tio, Vitor Bedeti, que havia ido em uma reunião no sábado (21). “Fiquei sentada em um banco do segundo andar por volta de 1h, enquanto isso, vários seguranças passavam, me olhavam e me encaravam. Até que fiquei impaciente e cansei, fui dar uma volta”, relata.


Ao passar em frente às lojas, descer para o primeiro andar, passear e voltar para o segundo piso, Julia diz que um dos seguranças que estavam a observando foi falar com ela. “Eu estava na escada rolante e ele me parou e disse ‘ah, hoje você está aqui só dando voltinha, né? O shopping é pequeno’, no sentido de que eu estava passando naquele lugar várias vezes. Foi na frente de outras pessoas, fiquei super constrangida”, detalha.


A jovem disse que, na hora, não teve reação e não conseguiu responder o homem. Quem a ajudou foi seu tio, que ficou sabendo da história ao sair da reunião e decidiu reportar o caso à chefe de segurança do espaço. “Ela deu suporte, ficou abalada, falou que ia conversar com ele, mas não sabemos se isso foi feito”.


“Eu quero que tenha uma providência imediata, para que realmente não aconteça mais. Se aconteceu comigo, que, querendo ou não, tenho um celular bacana, estava com uma bolsa cara, com uma sandália cara, imagina como é o tratamento para pessoas que não têm o que eu tenho? Sempre ouvimos falar em racismo, mas quando acontece com a gente, o buraco é mais embaixo”, reforça Julia Gomes.


Também em seu perfil no Instagram, o tio da vítima, Vitor Bedeti, relatou o caso e destacou que a sobrinha foi assediada e coagida, além de se sentir humilhada e constrangida.

“Encontrei a Julia, aos prantos, na praça de alimentação, fiquei completamente abalado e imediatamente me dirigi ao SAC do Pátio, relatamos o acontecimento desejando que alguma providência fosse tomada imediatamente. A chefe de segurança pediu desculpas, porém não estamos satisfeitos com a resposta, não se trata de um pedido de desculpas, queremos saber quais impactos nossa denúncia causa na mobilização necessária para que estes episódios de racismo não se repitam”, escreveu.


A microempreendedora registrou boletim de ocorrência e afirma não ter recebido contato posterior do shopping.

O que diz o shopping

Em nota, a administração do shopping disse que está apurando os fatos e que "não compactua, não tolera e repudia quaisquer atitudes discriminatórias". O estabelecimento afirma, ainda, que assim que soube do ocorrido, prestou suporte à cliente.

O segurança foi questionado sobre o caso e disse que abordou Julia Gomes para oferecer ajuda.

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